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Doc sobre os Joy Division

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komah11
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Registrado dia : 01 Jan 2007
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qua 23 Jul 2008, 20:36

endemoniada escreveu:

Quanto a ti Sérgio, nao mereces que gaste o meu precioso tempo a responder-te.


nem eu quero...com o preço a que esta o gasoleo hoje em dia temos de poupar ao maximo.

MenschFeind: ora essa...como disse algures anteriormente isto aqui nao é nenhuma missa ....opinioes diferentes dao para isto...controversia. Normalissimo. Alem de que prova a minha teoria de que a Musica é algo de transcendental.

Mas é como digo.....ha varias maneiras de apreciar o mesmo trabalho. evidentemente que existe um nucleo de fans de Joy Division que consegue perceber na integra, mais alem e a fundo todo o significado do trabalho da banda....mas mo final do dia, para o comum dos mortais é so musica e apenas musica e isso ninguem pode negar a ninguem. Alem de que conhecer mesmo que nao se de tanta importamcia como outros, é edificante.
as pessoas tem o direito de achar aquilo que bem quiserem...correspondendo verdadeiramente ou nao ao significado primordial de uma coisa. Os Joy Division nao sao excepçao e ainda que atravessando agora uma fase de maior exposiçao na tal cultura pop, a essencia esta sufucientemente maturada pelos anos de carisma e devoçao de fans leais que conseguem ouvir mais alem. daqui por uns tempos ja ninguem se lembra dos filmes e da ressurreiçao pop feita aos Joy Division, mas esses fans leais la estarao e com sorte em maior numero a perpetuar todo esse misticismo me volta da banda. O que é puro a tudo resiste, ate a uma simples sandes de queijo.
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endemoniada
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qua 23 Jul 2008, 20:39

komah11 escreveu:
ate a uma simples sandes de queijo.


Ou de torresmos... Love ... vegetarianos claro está. Look Around
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komah11
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qua 23 Jul 2008, 20:42

Jedi Mind Tricks escreveu:



Os ingredientes-chave para um sucesso mainstream são cada vez mais a redução das coisas à sua superficialidade, trivialidade, mediocridade e estupidez.
Aquilo que não é medíocre, depressa incorre nesse sentido, intencionalmente ou de forma forçada.

O lema da industria da musica e do cinema hoje é dia é este: A mediocridade vende.

Ver mais qualidade e originalidade na cena mainstream é o mesmo que desejar ver mais bibliotecas que discotecas... Só em sonhos... Look Around


é uma questao de tempo....no meio da tanta mediocridade e superficialidade o que
e realmente bom e genuino resiste ao tempo... o resto torna se numa mera brisa ( por falar nisso que é feito dela) a soprar sobre um campo de cinzas...o tempo é o filtro.
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qua 23 Jul 2008, 21:09

komah11 escreveu:
Jedi Mind Tricks escreveu:



Os ingredientes-chave para um sucesso mainstream são cada vez mais a redução das coisas à sua superficialidade, trivialidade, mediocridade e estupidez.
Aquilo que não é medíocre, depressa incorre nesse sentido, intencionalmente ou de forma forçada.

O lema da industria da musica e do cinema hoje é dia é este: A mediocridade vende.

Ver mais qualidade e originalidade na cena mainstream é o mesmo que desejar ver mais bibliotecas que discotecas... Só em sonhos... Look Around


é uma questao de tempo....no meio da tanta mediocridade e superficialidade o que
e realmente bom e genuino resiste ao tempo... o resto torna se numa mera brisa ( por falar nisso que é feito dela) a soprar sobre um campo de cinzas...o tempo é o filtro.


Não digo que não Komah11, alias, disse que esses casos, por mais raros que sejam, merecem o nosso aplauso só por se manterem íntegros: considero essa a verdadeira essência da arte, a sua integridade pura e natural... Com tanto de intemporalidade quanto de congruência.

O problema é que pelo meio sucumbem muitos artistas com potencialidade, que se tornam vitimas do esquema. E não vêm outra alternativa que a busca forçuda e artificial pelo apreço das massas. E quando isso acontece, o artista deixa de fazer arte, passa a ser apenas e só um empreendedor com a função de entreter.

E a música também é entretenimento, mas se a reduzirmos a um mero ramo do negócio do entretenimento, o que obtemos? O que perdemos?
Na minha opinião estaremos a um passo de perder toda e qualquer alma que desde os primórdios da civilização acompanha a música e faz dela uma necessidade sem a qual não podemos viver. Uma alma que, por mais que queiramos, não se vende nem se compra.
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komah11
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qua 23 Jul 2008, 21:51

Jedi Mind Tricks escreveu:


O problema é que pelo meio sucumbem muitos artistas com potencialidade, que se tornam vitimas do esquema. E não vêm outra alternativa do que a busca forçuda e artificial pelo apreso das massas. E quando isso acontece, o artista deixa de fazer arte, passa a ser apenas e só um empreendedor com a função de entreter.

E a música também é entretenimento, mas se a reduzirmos a um mero ramo do negócio do entretenimento, o que obtemos? O que perdemos?
Na minha opinião estaremos a um passo de perder toda e qualquer alma que desde os primórdios da civilização acompanha a música e faz dela uma necessidade sem a qual não podemos viver. Uma alma que, por mais que queiramos, não se vende nem se compra.


cComeço por pensar e acreditar que tudo acontece muito pela atitude do proprio artista. as pessoas tem de ter noçao daquilo que querem fazer de si mesmas, tem de ter as suas ideias e saber daquilo que podem enfrentar, saberem que podem sucumbir perante um determinado conjunto de factores, e aqui sim se separa o trigo do joio. Ha aqueles que querem é aparecer nas revistas e cantar meia duzia de coisas escritas por toda a gente menos por eles e ha aqueles que sao determinados em apresentar o seu trabalho so pelo prazer de mostrar aquilo que fazem com dedicaçao e alma sem estarem a criar expectativas acerca do futuro. sim porque quando se começa logo a pensar em numeros antes de criar....ja por aí se pode ver o resultado final. As potencialidades de um artista nao sao assim tao potenciais se o prorpio artista começa logo por preocupar se com o tal sistema.
A musica tem tambem essa tal componente ludica mas isso é so uma das vertentes da musica em si, por isso a musica é tao especial. os ouvintes encaram e podem encarar aquilo que estao a ouvir como quiserem afinal de contas ninguem comanda os nossos ouvidos e percepçao agora os artistas nao tem de ficar refens de pontos aleatorios como vendas, se o publico vai gostar ou nao, se é aceitavel e coisas asssim, se o fizerem tem de assumir e correr os riscos que se sabem.
Nao creio que a tal alma que falas se perca, é uma visao muito redutora para tudo aquilo que se faz no mundo inteiro e que nos nao conhecemos. haverá sempre o lado oposto e aberrante como é obvio mas continuo a acreditar que normalmente um miudo de 13 ou 14 anos quando pega num instrumento faz-lo pela magia e pelo prazer de criar ou vir a poder criar algo que o projecte.
È uma questao de atitude e de visao de ambos os lados....mantendo as coisas simples tudo se tornara simples....digo eu.
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qua 23 Jul 2008, 22:22

Obviamente que a alma será sempre preservada, especialmente nas coisas que não conhecemos, porque não foram produzidas para ser instantaneamente conhecidas mundialmente como se isso fosse um objectivo primordial. Quanto muito são feitas com os votos depositados de que tal fama possa surgir como um efeito secundário da qualidade da obra em questão.

Por isso é que separamos as coisas em corrente mainstream e corrente underground. Muito mais que simples definições vagas, são dois conceitos que se aplicam em grande parte à atitude do artista, como dizes, mas principalmente à atitude do publico.
Isto porque o mainstream é uma industria, com fins estritamente comerciais, onde se colocam ao barulho grandes quantias de dinheiro, e onde se faz negócio.
É aqui que surge o maior dilema. Deixar de perseguir naturalmente a veia artística para se ser conhecido através de operações de estética/cosmética, marketing, alterações sonoras e outros tipos de promoção que não a qualidade natural da sua música, ou então a alternativa que é perseguir a veia artística fielmente, sem grandes bases de promoção, e arriscar ser-se um simples desconhecido no meio de tantos outros.
Conciliar as duas coisas é cada vez mais difícil e raro de se ver. Portanto palmas para esses casos.

Acho que não é exagero da minha parte dizer que a industria musical já não se rege por factores tais como a originalidade ou qualidade musical - que são discutíveis, é certo - mas sim por outro tipo de factores que na sua maioria nem sequer dependem da música feita pelo artista em si. É por isso que temos top's de vendas como aqueles que assistimos todas as semanas... Que se pode fazer quanto a isso? Como disseste antes: ouvir antes o que nos agrada. Mas com isso, é natural que surja o receio de ver o que nos agrada passar igualmente para o lado de lá... até mesmo postumamente.
É aí que a alminha é violada... Look Around
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komah11
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qui 24 Jul 2008, 00:00

Jedi Mind Tricks escreveu:

Por isso é que separamos as coisas em corrente mainstream e corrente underground. Muito mais que simples definições vagas, são dois conceitos que se aplicam em grande parte à atitude do artista, como dizes, mas principalmente à atitude do publico.
Conciliar as duas coisas é cada vez mais difícil e raro de se ver. Portanto palmas para esses casos.

. Mas com isso, é natural que surja o receio de ver o que nos agrada passar igualmente para o lado de lá... até mesmo postumamente.
É aí que a alminha é violada... Look Around


Mas quem é afinal a genese de tudo? sao as correntes mainstream? o Publico? os Media?....Sao os artistas eles é que providenciam a magia e os artistas nao tem de temer nada e muito menos o publico. é precisamente isso, ou melhor o contrario disso, é que pode inverter o processo natural das coisas. isso é que é mainstream no seu pior (eu pessoalmente nem acho que o mainstream seja uma coisa necessariamente má). Uma banda nao controla o publico ou o numero de pessoas que a ouvem. é um processo normal....agora obviamente tem que decidir se quer traçar para si um rumo em que detem o controlo daquilo que faz ou se vende a alma ao diabo.
isso é outra questao...
a definiçao Underground ou Mainstream é irrelevante na quimica pura que se estabelece entre quem cria e quem ouve, ninguem é obrigado a nada nem tem de temer nada....a musica é prazer.
Defendo que continua a partir tudo das proprias bandas e da mentalidade que cultivam. o bicho papao que anda em torno da musica so esta é espera.....dentro de cada um.
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Qui 24 Jul 2008, 20:29

komah11 escreveu:
Mas quem é afinal a genese de tudo? sao as correntes mainstream? o Publico? os Media?....Sao os artistas eles é que providenciam a magia e os artistas nao tem de temer nada e muito menos o publico. é precisamente isso, ou melhor o contrario disso, é que pode inverter o processo natural das coisas. isso é que é mainstream no seu pior (eu pessoalmente nem acho que o mainstream seja uma coisa necessariamente má). Uma banda nao controla o publico ou o numero de pessoas que a ouvem. é um processo normal....agora obviamente tem que decidir se quer traçar para si um rumo em que detem o controlo daquilo que faz ou se vende a alma ao diabo.
isso é outra questao...
a definiçao Underground ou Mainstream é irrelevante na quimica pura que se estabelece entre quem cria e quem ouve, ninguem é obrigado a nada nem tem de temer nada....a musica é prazer.
Defendo que continua a partir tudo das proprias bandas e da mentalidade que cultivam. o bicho papao que anda em torno da musica so esta é espera.....dentro de cada um.


Mas lá está, esse poder do artista, no mainstream, é cada vez mais transferido para o CEO da editora. Em demasiados casos, são os CEO's em conjunto com todo um staff "especializado" que definem o que deve sair no próximo álbum, ou pior, como deve e quando deve ser feito o próximo álbum. É esta a principal diferença. Um artista indie, underground, é dono dele próprio e do seu trabalho, livre de criar conforme desejar e de ditar as suas próprias regras, e não está dependente de exigências absurdas tais como "necessidades de atingir forçosamente determinado público alvo", ou "necessidade de ceder às exigências e tendências de mercado".
Acho que se um gajo engravatado, que passa a vida a dar bafos num charuto de 50 dólares, a preocupar-se mais com tops de vendas do que com a originalidade e criatividade dos artistas que assina, é alguém que se está completamente a cagar para a componente social e cultural da música, e quando chega aos comandos de uma editora major, automaticamente estará a contribuir para que a essência da música se evapore completamente.

Querem, a todo o custo, fazer dela um produto material lucrativo (mais do que rentável), sem apostarem realmente no espírito e entrega que deveria estar por detrás de cada faixa. Ela tornou-se nisso, numa indústria. E só falta mesmo começar a vender-se a própria mãe.*

Claro que a música é superior a rótulos, conceitos, ou até mesmo a catálogos e géneros musicais, e claro que tudo isso é bla bla bla na hora de ouvirmos e apreciarmos música. Mas estamos a falar de um assunto onde ela não deixa de ser castrada pelos mesmos, porque por mais forte que ela seja, o negócio da música está sempre nas mãos de uns poucos que determinam o que passa, quando passa e como passa.

E enquanto esse monopólio predatório existir, toda a música está sujeite a tornar-se na presa.
E se houver algum artista que recuse abrir as pernas, rapidamente será substituído por uma qualquer marioneta pronta a vender a própria alma. Look Around


* Obviamente que compreendo os custos da produção, gravação, masterização e outras fases que constituem o desenvolvimento de um álbum. E sei que um artista não vive do ar. Mas aqui a critica está direccionada contra o CEO que quer lucrar o mais possível explorando legitimamente o artista, sendo que no final do dia quem perde somos nós, os consumidores... E o artista passa a ganhar meia dúzia de cêntimos por cada álbum vendido, enquanto o CEO...
E acho que isto é um sinal está à vista, já que dá para ver que a qualidade já não é um facto determinante na altura de se dar destaque a determinado(s) artista(s).
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Sex 25 Jul 2008, 00:50

endemoniada escreveu:

Só nao acho muita piada ao facto de terem tornado os Joy Division numa banda fashion...

Não me parece que os Joy Division sejam actualmente uma banda fashion, mas esta é apenas a minha percepção.

endemoniada escreveu:

Mas posso dar um exemplo sobre o porquê desta minha opiniao.

Os exemplos pessoais são sempre relativamente úteis nestas discussões, mas convém não confundirmos o nosso mundo com a totalidade do universo.

endemoniada escreveu:

Quanto a ti Sérgio, nao mereces que gaste o meu precioso tempo a responder-te.

Quem é o Sérgio?!
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komah11
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Sex 25 Jul 2008, 01:02

Module 90M 061659 escreveu:


endemoniada escreveu:

Quanto a ti Sérgio, nao mereces que gaste o meu precioso tempo a responder-te.

Quem é o Sérgio?!


é a maior lesbica de todo o sempre....
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Sex 25 Jul 2008, 01:05

Jedi Mind Tricks escreveu:

Os ingredientes-chave para um sucesso mainstream são cada vez mais a redução das coisas à sua superficialidade, trivialidade, mediocridade e estupidez.
(...)
O lema da industria da musica e do cinema hoje em dia é este: A mediocridade vende.

Jedi Mind Tricks escreveu:

Acho que não é exagero da minha parte dizer que a industria musical já não se rege por factores tais como a originalidade ou qualidade musical - que são discutíveis, é certo - mas sim por outro tipo de factores que na sua maioria nem sequer dependem da música feita pelo artista em si.

Jedi Mind Tricks escreveu:

... esse poder do artista, no mainstream, é cada vez mais transferido para o CEO da editora.

Como se não tivesse sido sempre assim desde que existe arte. Para não recuar muito no tempo, basta citar o exemplo dos mecenas na época do Renascimento que encomendavam obras de arte [pintura, escultura, peças musicais, etc] aos artistas seus protegidos e que tinham enorme controlo sobre o produto final dessas obras. Extraordinário é que algumas das mais representativas obras de arte do período renascentista tenham sido encomendadas e controladas, nalguns casos ferreamente controladas, precisamente por esses mecenas.

Na nossa ingenuidade/ignorância do passado [e por favor não vejam sarcasmo ou insulto nas minhas palavras] gostamos de pensar que existe uma espécie de paraíso perdido no mundo da arte em que o Artista [algum sarcasmo no "A" maiúsculo] era dono e senhor absoluto da sua obra.

Jedi Mind Tricks escreveu:

(...)
Um artista indie, underground, é dono dele próprio e do seu trabalho, livre de criar conforme desejar e de ditar as suas próprias regras, e não está dependente de exigências absurdas tais como "necessidades de atingir forçosamente determinado público alvo", ou "necessidade de ceder às exigências e tendências de mercado".

Acreditas, portanto, que um artista independente/underground - ou seja, que não esteja associado a uma editora multinacional/major/mainstream - se preocupa única e exclusivamente com a sua produção artística? É capaz de não ser bem assim... Acontece que qualquer artista - e quem diz o contrário mente [possivelmente como estratégia de... err... marketing] quer que o seu trabalho chegue ao público [se o seu público-alvo é de dezenas ou milhões é para a discussão irrelevante] e para isso tem que dar a conhecer o seu trabalho, chamar a atenção sobre ele [o trabalho]. Assim, os artistas independentes(underground acabam por ter que se preocupar mais com outras coisas para além da produção artística porque não tem consigo uma máquina suficientemente eficaz de divulgação e promoção.

Finalizo com um exemplo. Os Sonic Youth andaram durante anos em editoras independentes e foram construindo uma carreira e uma reputação inquestionáveis. A dado momento do seu percurso foram contratados por uma das maiores editoras mundiais [na altura a Geffen Records] e muita gente temeu que eles "prostituíssem" o seu trabalho - a sua Arte - e nada disso aconteceu. Continuaram fiéis ao seu "espírito" e continuaram a produzir a sua música como sempre o tinham feito. Porque terá isto acontecido?...
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Sab 26 Jul 2008, 23:47

Module 90M 061659 escreveu:
Jedi Mind Tricks escreveu:

Os ingredientes-chave para um sucesso mainstream são cada vez mais a redução das coisas à sua superficialidade, trivialidade, mediocridade e estupidez.
(...)
O lema da industria da musica e do cinema hoje em dia é este: A mediocridade vende.

Jedi Mind Tricks escreveu:

Acho que não é exagero da minha parte dizer que a industria musical já não se rege por factores tais como a originalidade ou qualidade musical - que são discutíveis, é certo - mas sim por outro tipo de factores que na sua maioria nem sequer dependem da música feita pelo artista em si.

Jedi Mind Tricks escreveu:

... esse poder do artista, no mainstream, é cada vez mais transferido para o CEO da editora.

Como se não tivesse sido sempre assim desde que existe arte. Para não recuar muito no tempo, basta citar o exemplo dos mecenas na época do Renascimento que encomendavam obras de arte [pintura, escultura, peças musicais, etc] aos artistas seus protegidos e que tinham enorme controlo sobre o produto final dessas obras. Extraordinário é que algumas das mais representativas obras de arte do período renascentista tenham sido encomendadas e controladas, nalguns casos ferreamente controladas, precisamente por esses mecenas.

Na nossa ingenuidade/ignorância do passado [e por favor não vejam sarcasmo ou insulto nas minhas palavras] gostamos de pensar que existe uma espécie de paraíso perdido no mundo da arte em que o Artista [algum sarcasmo no "A" maiúsculo] era dono e senhor absoluto da sua obra.


Isso é o mesmo que dizer que não existiu uma verdadeira revolução industrial, ou que ela recebe demasiada atenção, já que a humanidade sempre dispôs de meios e mecanismos para facilitar os mais variados trabalhos.
Obviamente que sempre existiram ruídos de fundo, mas dizeres que sempre assim foi é estar a ignorar as tremendas fases pelas quais o negócio das artes já passou.
A arte, outrora um privilégio só para alguns, massificou-se, todos obtiveram o acesso à arte, tanto para a praticarem, como para serem espectadores desta.
E creio que a cada passo que se dá neste mundo industrializado, maior adulteração se faz sentir no conteúdo que nos é apresentado, já que os seus propósitos acompanham os interesses que os originam. Seja em questões de desporto, música, cinema, ou qualquer outro. Ingénuo é pensar-se que a luta por um lugar no top depende apenas e só da qualidade do artista em questão. Isto numa altura em que essa luta se torna cada vez mais fervorosa, e que - indiscutivelmente - a exaltação do luxo e da vida fútil nos chega cada vez mais aos ouvidos, e cada vez mais artistas propagandeiam essa ideia como o seu apanágio.

Infelizmente (ou felizmente) sou ignorante em relação a muitas coisas, mas por acaso isso não é algo de que eu não esteja já a par, até porque tudo aquilo que se desenrole durante uma forte influência do clero está imediatamente sujeito a ficar contaminado com o vírus da adulteração e da conjuntura de interesses. Ou não fosse Da Vinci (por exemplo) indissociável da sua relação com o clero, nomeadamente com César Bórgia, aquele que "talvez" tenha emprestado o seu rosto à imagem de Cristo tal como o conhecemos hoje, e se tenha desde então tornado na concepção dominante da sua aparência, categoricamente imitado desde então...

De qualquer das formas isto não interessa nem ao menino Jesus (cá está ele). Acho um preciosismo desnecessário da tua parte estares a querer debater esta perspectiva que é irrelevante para o assunto, para além de, no fundo, me estares a dar razão e a aceitar que de facto a arte é muitas vezes adulterada para ser apresentada de determinada forma a um público - mesmo numa altura em que não existia uma industria da arte como a que existe hoje.
Para colocar os pontos nos i's, o assunto tratava de um problema: O risco de adulteração, que tu - aparentemente - minimizavas ou consideravas mínimo/irrelevante, ao contrário de mim, que o considero bastante elevado.

Module 90M 061659 escreveu:
Jedi Mind Tricks escreveu:

(...)
Um artista indie, underground, é dono dele próprio e do seu trabalho, livre de criar conforme desejar e de ditar as suas próprias regras, e não está dependente de exigências absurdas tais como "necessidades de atingir forçosamente determinado público alvo", ou "necessidade de ceder às exigências e tendências de mercado".

Acreditas, portanto, que um artista independente/underground - ou seja, que não esteja associado a uma editora multinacional/major/mainstream - se preocupa única e exclusivamente com a sua produção artística? É capaz de não ser bem assim... Acontece que qualquer artista - e quem diz o contrário mente [possivelmente como estratégia de... err... marketing] quer que o seu trabalho chegue ao público [se o seu público-alvo é de dezenas ou milhões é para a discussão irrelevante] e para isso tem que dar a conhecer o seu trabalho, chamar a atenção sobre ele [o trabalho]. Assim, os artistas independentes(underground acabam por ter que se preocupar mais com outras coisas para além da produção artística porque não tem consigo uma máquina suficientemente eficaz de divulgação e promoção.


Errado. Acredito é que um artista underground tem uma maior propensão natural para se manter fiel a si mesmo e não sofrer as pressões que existem na corrente mainstream - já que também está menos sujeite a estas.
Fora disso, o underground é só por si um submundo complexo, onde também existem aqueles que só são underground porque nenhuma editora major os quer assinar, sendo portanto autenticas "prostitutas" por conta própria, sem um gigolô (CEO) por detrás a fazer o dele, como acontece com bastantes artistas no mainstream.

Ora pois bem, já eu digo que quem discorda disto também mente, já que é provavelmente alguém que vendeu a alma ao diabo (da industria), ou então tem algum tipo de ligação a uma grande editora, se não for o próprio CEO... Ou será que é apenas uma dissonância cognitiva??...

Module 90M 061659 escreveu:
Finalizo com um exemplo. Os Sonic Youth andaram durante anos em editoras independentes e foram construindo uma carreira e uma reputação inquestionáveis. A dado momento do seu percurso foram contratados por uma das maiores editoras mundiais [na altura a Geffen Records] e muita gente temeu que eles "prostituíssem" o seu trabalho - a sua Arte - e nada disso aconteceu. Continuaram fiéis ao seu "espírito" e continuaram a produzir a sua música como sempre o tinham feito. Porque terá isto acontecido?...


Respondo com uma pergunta: E o que dizer dos inúmeros exemplos onde a fidelidade não se registou, e onde os próprios, a certa altura, admitiram ter modificado deliberadamente a sua postura para agradarem a gregos e troianos?
Eu conheço inúmeros casos destes, entre eles estão alguns exemplos mais crassos: Xzibit, Eminem, Avril Lavigne, Nelly Furtado, 50cent, 2pac, Notorious B.I.G., Jay-Z, DMX, Onyx, LL Cool J, Busta Rhymes, Fat Joe, Jin, Limp Bizkit, Redman, Method Man, Ghostface Killah, Dead Prez, Q-Tip, Outkast, entre muitos outros, que sofreram mudanças bastante radicais nessa fase, adoptando uma postura diferente - e mudanças constantes a cada nova moda/tendência que se torna dominante entre as massas. Porque terá isso acontecido? Porque é que ainda continua a acontecer? Será que a adulteração da música, o conceito de "cultura de massas" e as suas influencias, bem como o termo "sold out" são apenas mal-entendidos? Ou são (muitas vezes) alterações deliberadas, resultantes na perda da essência e coesão de muitos destes artistas, aparentemente para favorecer a exposição/promoção e, consequentemente, o lucro?


E claro, também conheço alguns casos onde artistas que assinaram por majors mas que mantiveram a sua integridade. Para dar uns exemplos: Mos Def, Talib Kweli, Lupe Fiasco, Common, Flobots, etc... Muitos destes são provenientes de géneros (ou subgéneros) bastante alternativos de música, que por acaso conseguem sobreviver com alguma coesão e ainda terem o seu núcleo original de fans preservado mesmo após a incursão pelo mainstream.
Muitos destes artistas são apelidados de "middle ground", mantêm aquilo que se pode chamar de filosofia e postura tipicamente underground, apesar de usufruírem dos grandes meios de promoção e distribuição: consegue-se estabelecer uma simbiose sem que isso se traduza num impacto significativo no trabalho do artista.
Muitos deles ficam nas chamadas "black labels" das majors, umas divisões/sucursais que albergam artistas que normalmente são mais alternativos que os da espinha dorsal da major label propriamente dita.
Mas estes são artistas que, apesar da sua indiscutível coesão e qualidade musical, dificilmente irão passar 50 vezes por dia nas rádios e canais de música como acontece com outros mais badalados, ou que dificilmente ganharão aquele ou aqueloutro prémio... Infelizmente na musica este é muitas vezes o problema de se ser coeso e de se fazer as coisas com "sangue, suor e lágrimas."
A moral da história:
Enquanto isto se vai processando, grandes artistas nunca verão o seu trabalho condignamente reconhecido porque não há espaço para eles - nem para a sua estirpe - na industria musical de "topo".
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MensagemAssunto: Re: Doc sobre os Joy Division   Dom 27 Jul 2008, 11:09

A propósito:

Dying Fetus - Pissing in the mainstream


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