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 Poesia (Ser poeta é ser mais alto)

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AutorMensagem
lloyd_christmas
Visitante


Número de Mensagens: 53
Idade: 34
Data de inscrição: 15/02/2008

MensagemAssunto: almoçar fruições   Sex 25 Jul 2008, 18:50

lobrigar de uma certa morte,
o que dela não resta pela penúria,....

ruminar,
ruminar sempre e
à sombra de um caldo
de experiências falhadas,...

deleites de coisas suínas,
cada vez menos importantes,

para no fim desarrumar o coração,
frio....
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maresque
Super-Lusitano/a


Número de Mensagens: 886
Localização: Portalegre
Data de inscrição: 09/03/2008

MensagemAssunto: Re: Poesia (Ser poeta é ser mais alto)   Sab 21 Mar 2009, 20:28

Porque hoje - dia 21 de Março - é o Dia Mundial da Poesia. É claro que aqui no Lusitana não podíamos passar ao lado desta data, não é assim?...

EDUARDO GUERRA CARNEIRO
(Livro: Contra a Corrente)

Contra a corrente subimos os rios
à procura do lugar onde os sonhos
nascem. Contra a corrente rompemos
o véu e do anel de fogo já saímos.
Contra a corrente estamos sempre
quando rios se formam em anéis de fogo
e véus de bruma surgem. Contra
a corrente chegamos a lugares onde o sonho
sobe. Contra a corrente,
outra vez, ainda, tentamos a sorte:
anular alguns círculos na água,
corpo-a-corpo com a morte,
p'ra desfazer o feitiço da serpente


ANTÓNIO JOSÉ FORTE
(Livro: Uma Faca nos Dentes)

Ainda não
não há dinheiro para partir de vez
não há espaço demais para ficar
ainda não se pode abrir uma veia
e morrer antes de alguém chegar

ainda não há uma flor na boca
para os poetas que estão aqui de passagem
e outra escarlate na alma
para os postos à margem

ainda não há nada no pulmão direito
ainda não se respira como devia ser
ainda não é por isso que choramos às vezes
e que outras somos heróis a valer

ainda não é a pátria que é uma maçada
nem estar deste lado que custa a cabeça
ainda não há uma escada e outra escada depois
para descer á frente de quem quer que desça

ainda não há camas só para pesadelos
ainda não se ama só no chão
ainda não há uma granada
ainda não há um coração


MARIA TERESA HORTA
(Livro: Poesia/Prosa)

Juntar todas as rosas
do teu corpo
como quem despe a pessoa amada

Como quem quer saber
e não entende
por que se morre de paixão rasgada

Atar todas as rosas
do teu corpo
como quem prende o fogo que se abre

Este crescido fulgor
que vara o tempo
e com lâmina de amor inventa o sabre
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wolfspell
Lusitano/a Viciado/a


Número de Mensagens: 3253
Idade: 32
Localização: Lusitania
Data de inscrição: 02/01/2007

MensagemAssunto: Re: Poesia (Ser poeta é ser mais alto)   Dom 22 Mar 2009, 02:10

maresque escreveu:
Porque hoje - dia 21 de Março - é o Dia Mundial da Poesia. É claro que aqui no Lusitana não podíamos passar ao lado desta data, não é assim?...

EDUARDO GUERRA CARNEIRO
(Livro: Contra a Corrente)

Contra a corrente subimos os rios
à procura do lugar onde os sonhos
nascem. Contra a corrente rompemos
o véu e do anel de fogo já saímos.
Contra a corrente estamos sempre
quando rios se formam em anéis de fogo
e véus de bruma surgem. Contra
a corrente chegamos a lugares onde o sonho
sobe. Contra a corrente,
outra vez, ainda, tentamos a sorte:
anular alguns círculos na água,
corpo-a-corpo com a morte,
p'ra desfazer o feitiço da serpente


ANTÓNIO JOSÉ FORTE
(Livro: Uma Faca nos Dentes)

Ainda não
não há dinheiro para partir de vez
não há espaço demais para ficar
ainda não se pode abrir uma veia
e morrer antes de alguém chegar

ainda não há uma flor na boca
para os poetas que estão aqui de passagem
e outra escarlate na alma
para os postos à margem

ainda não há nada no pulmão direito
ainda não se respira como devia ser
ainda não é por isso que choramos às vezes
e que outras somos heróis a valer

ainda não é a pátria que é uma maçada
nem estar deste lado que custa a cabeça
ainda não há uma escada e outra escada depois
para descer á frente de quem quer que desça

ainda não há camas só para pesadelos
ainda não se ama só no chão
ainda não há uma granada
ainda não há um coração


MARIA TERESA HORTA
(Livro: Poesia/Prosa)

Juntar todas as rosas
do teu corpo
como quem despe a pessoa amada

Como quem quer saber
e não entende
por que se morre de paixão rasgada

Atar todas as rosas
do teu corpo
como quem prende o fogo que se abre

Este crescido fulgor
que vara o tempo
e com lâmina de amor inventa o sabre


Obrigado por estares atento.

Saudações Lusitanas

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komah11
Moderador


Número de Mensagens: 3722
Data de inscrição: 01/01/2007

MensagemAssunto: Re: Poesia (Ser poeta é ser mais alto)   Seg 01 Jun 2009, 22:59

“Selige Sehnsucht” (J.W.Goethe, in: West-Östlicher Divan, 1814-1819)

Sagt es niemand, nur den Weisen,
Weil die Menge gleich verhöhnet:
Das Lebendge will ich preisen,
Das nach Flammentod sich sehnet.

In der Liebesnächte Kühlung,
Die dich zeugte, wo du zeugtest,
Überfällt dich fremde Fühlung,
Wenn die stille Kerze leuchtet.

Nicht mehr bleibest du umfangen
In der Finsternis Beschattung,
Und dich reisset neu Verlangen
Auf zu höherer Begattung.

Keine Ferne macht dich schwierig,
Kommst geflogen und gebannt,
Und zuletzt, des Lichts begierig,
Bist du, Schmetterling, verbrannt.

Und so lange du das nicht hast,
Dieses: Stirb und werde!
Bist du nur ein trüber Gast
Auf der dunklen Erde.

Anelo (Tradução: Manuel Bandeira)

Só aos sábios o reveles,
Pois o vulgo zomba logo:
Quero louvar o vivente
Que aspira à morte no fogo.

Na noite- em que te geraram,
Em que geraste – sentiste,
Se calma a luz que alumiava,
Um desconforto bem triste.

Não sofres ficar nas trevas
Onde a sombra condensa.
E te fascina o desejo
De comunhão mais intensa.

Não te detêm as distâncias,
Ó mariposa! e nas tardes,
Ávida de luz e de chama,
Voas para a luz em que ardes.

“Morre e transmuda-te”: enquanto
Não cumpres esse destino,
És sobre a terra sombria
Qual sombrio peregrino.
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