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 O que escreves

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AutorMensagem
Meretseguer
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Sex 02 Maio 2008, 01:16

wolfspell escreveu:
Muito bom, continua a mostrar o que fazes.

Aproveitando a deixa, o Fernando Ribeiro chegou a falar da necessidade de comunicarmos aos outros a nossa forma de expressão.
acho que não a sinto...
fico sempre constrangida quando mostro a alguém...prefiro ter os papeis no conforto do meu quarto desarrumado. é desvario? talvez

obrigado wolfspell!
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Baalrech
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Sab 03 Maio 2008, 01:04

Pois... O conforto do quarto desarrumado, o conforto do computador desorganizado... Nada que um pequeno passinho inseguro logo seguido de muitos mais não curem. E queixo orgulhosamente levantado! Wink
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Meretseguer
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Sab 03 Maio 2008, 01:19

Smile Kiss

olha q ainda te arriscas a ter-me aí no teu quintal
*foge*
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Baalrech
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Dom 04 Maio 2008, 04:22

*canta Bauhaus*

I dare
I dare
I dare- you- you

Look Around
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Nightspirit
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Ter 06 Maio 2008, 04:00

Meretseguer escreveu:
Catarina de meu nome

Verdes ceifeiras
Voejam pela colheita
do meu campo.

Mãos sob pele enrodilhada
Calos nos ossos, fronte suada,
Apertam o Cabo!

O Sol seca o canto da água
que não passa,
já não verte
Terra quente que o pó aquece
( o mesmo pó donde se ergue
o mais comum dos eternos).

Velhas ceifeiras...

Ardem-lhes os olhos
-Será o pó?
...são os mortos.
Pesam-lhes nas costas
E nas rugas ásperas;
Vede como são profundas,
como são amargas!

Consintai, ó ceifeiras,
que seja vingada a sua vez.
Porque pede, de nome Catarina,
que lhe cortem os pés,
que lhe ceifem a vida!


Parabéns por isto!
A senhora tua professora não mentiu quando disse que escrevias bem.
Força nisso mulher...quando tinha a tua idade nem aos calcanhares te chegava (e mesmo com a idade actual tenho dubedas tongue ) !

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"...The total absence of hope, which has nothing to do with despair, a continual refusal, which must not be confused with renouncement - and a conscious dissatisfaction." (Camus)

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Meretseguer
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Ter 06 Maio 2008, 18:28

Nightspirit escreveu:
...quando tinha a tua idade
Slap

Despair mas...mas eu tenho 99 anos Despair


*eu depois passo por cá com mais tempo
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Nightspirit
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Qua 28 Maio 2008, 02:29

Há,
Dentro de Ti,
Uma árvore
Vermelha
Que cresce.
Estende-se pelo ventre...
...E navega
Até às raizes
Do (teu) Abismo!

Há,
Dentro do sangue,
Um novo Amor
E dentro do amor,
Um ardor sem nome.
Começa no peito...
Estende-se pela alma
E não acaba,
Nunca pode acabar...

(M.)

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lloyd_christmas
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Qua 28 Maio 2008, 11:30

Nightspirit escreveu:
Há,
Dentro de Ti,
Uma árvore
Vermelha
Que cresce.
Estende-se pelo ventre...
...E navega
Até às raizes
Do (teu) Abismo!

Há,
Dentro do sangue,
Um novo Amor
E dentro do amor,
Um ardor sem nome.
Começa no peito...
Estende-se pela alma
E não acaba,
Nunca pode acabar...

(M.)


Gostei.....

Simples, e incisivo
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Qua 28 Maio 2008, 11:52

"Chuveiro"

Gostava que a àgua do meu chuveiro
me lavasse do meu corpo,

Que me purgasse da minha carne,

por fim

Eu,

Por fim

infinito,

Livre
como os ventos frios que
sopram de norte,

São as ideias que me constroem.

by João Padinha
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MensagemAssunto: Amor a Sul   Qua 28 Maio 2008, 12:51

arrotámos,
declinámos,
e recuperámos,
o que se perdeu,
à luz de pirilampos,....

anoiteceu,
gotas de vinho,
desiludiram,
o que esperámos,
do atavio,
da bonomia,
de ter,
a desdita,...

amálgama,
de aguadilha iluminada,
passado ácido,
limão na ferida,
que arde,
a arder,
e quando fere,
sara,
restabelece,...

desdisse-te,
e esperei retorno,...

bati-te,
a estalo,
e com mão de forno,....

saí luzidio,
com os astros,

mas restou,
de mim profundo,
um canto,
assomado ao vento,
com o restolho,
a arder,
e a alma,
seca palha,
de vida desflorada....
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Qua 28 Maio 2008, 19:01

É sempre bom vêr novos textos por aqui.

Parabéns

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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Qui 29 Maio 2008, 12:25

"Fim"

Fim,

Estou tão morto
como as palavras que
escrevo,

Apaixonado pelo
fim das coisas

e pela verdade
que o fim traz,

Não hà coisa
mais sincera
que a dor

vestida
de transparente
negro,

a dor aguça-me
os sentidos

E mostra quem

realmente
sou,

Amiga dor,

como anseio

o

Fim.



João Padinha
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MensagemAssunto: Pessoas que amam pessoas   Qui 29 Maio 2008, 15:20

pessoas que amam pessoas,
são as pessoas menos azuladas,
tomam banho, despem piloros,
têm hérnias quando comem tremoços,
e o mundo gira,
sem perdões incongruentes,
porque nem se importa,....

pessoas que desprezam pessoas,
choram com o fado mais brejeiro,
porque se importam,
querem convergências,
pulam com meninos simpáticos,
e depois,
assinam um cheque,
em moeda maldita,
para abater rebentos,....

pessoas que amam pessoas,
são bolas de naprons tricotados,
a balouçar nas patinhas de um gato,
para um fim que pede reflexão,
porque o mundo está pintado a lápis de cera...
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Nightspirit
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MensagemAssunto: Re: O que escreves   Qua 04 Jun 2008, 01:32

Não me apetece escrever
Não tenho nada para dizer
Mas tanto para sentir.
Estou triste e há algo que doi
E pegar na caneta é um acto inutil
De acalmar este momento.
Podia descrever a paisagem veloz
Da janela vespertina do comboio
Mas não...
Hoje tudo é cinzento
Mesmo o que não é cinzento.
Hoje estou cego
E não tenho nada para dizer
Nem a mim, nem a ninguém.
Não me apetece escrever!

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MensagemAssunto: 'Mutatis, Mutandis'   Qua 04 Jun 2008, 15:00

A quem conseguir captar a essência do que é ser feliz, e vendê-la como patente registada,.....alvíssaras. Diz quem o tentou, que a dificuldade está sempre no processo de selecção de odores. A brevidade de uma experiência, de um momento, de um cenário idílico, torna quase impossível reunir tudo num único composto.
Admite-se, quase 10 mil anos depois de o ser humano se ter levantado para começar a caminhar, que já houve quem chegasse perto. Mas a fugaz capacidade de compromisso do homem, torna esse desígnio quase impossível. Quem vive muitos anos com a felicidade de chegar à recta final da existência, com a ilusão de que está apto a compreender o motivo pelo qual não se matou logo depois de nascer, pode sem problemas assumir-se como um ser humano realizado. Assentar arraiais num planeta fétido, e poder viver consciente de que nada se deve a ninguém, é bom. Deve aliás ser o prazer supremo da existência humana.
No mapa genético do homem que, neste momento, está a ser baleado numa favela do Rio de Janeiro, por simplesmente estar no sítio errado, no momento impróprio, deveríamos todos encontrar um espelho. O reflexo das virtudes dos que almejam o sucesso ao virar da esquina, e dos defeitos da irredutível aldeia de gauleses que morreu à espera do colapso do universo.
É confuso, quase até sinistro, raciocinar sobre algo que, provavelmente, é o mais insondável dos mistérios da criação. A falta de pureza da condição do Homo ‘Sapiens’, torna o conceito de felicidade mutável, mutante e, no limite, perigoso até de abordar. Queima sentir o bem-estar interior, o ‘Nirvana’ dos momentos de perfeição. Mas também deve doer a quem luta por os conseguir captar e, em permanência, falha esse desígnio.
A bíblia diz que, no princípio, era o verbo. Eu cá sinto que antes do verbo, já provavelmente andavam no ar uns espermatozóides que, ao encontrarem o óvulo do conhecimento, se juntaram para produzir a mais tortuosa das criações. A mente humana.
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