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| Autor | Mensagem |
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Vivica Mestre Luso/a
Registrado dia : 02 Jan 2007 Mensagens : 1823
 | Assunto: Re: O que escreves Qua 07 Fev 2007, 22:24 | |
| Fugirei contigo se fugires Cairei contigo se caíres Estou à tua espera, amor.
Ignoro a chuva ou o sol intenso Abandono o lugar ao qual pertenço Estou só à tua espera, amor.
Crucifico amizades irreais Deixo para trás todos os problemas Continuo à tua espera, amor.
Esqueço a dor que me fizeste sentir Vou contigo se quiseres ir Estou à tua espera, amor.
Mato quem sempre me quis ver morta E largo tudo de valor Agora só faltas tu, amor. |
|  | | Nightspirit Super-Lusitano/a

Registrado dia : 05 Fev 2007 Mensagens : 892 Localização : Braga
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 01:18 | |
| | Gostei do teu poema Vivica, mas acho que consegues fazer melhor!!As palavras estão lá, mas falta-lhe algum apelo ao sentimento. É só a minha honesta opinião enquanto leitor, não deixes de escrever, verás que conseguirás melhor, tenho a certeza! |
|  | | Mortisa Mestre Luso/a
Idade : 24 Registrado dia : 10 Jan 2007 Mensagens : 1812
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 02:10 | |
| S/ título
Já me invade esta inquietude crescente, A paranóia mortífera do fim de uma alucinação. Porque ousamos sonhar, Se todos conjuram em mentiras absolutas?
Os sonhos são como castelos de neve doce que se desmoronam, Ao mais leve sopro. E sentimos cada pedra sempre que estamos mais perto. E sangramos sempre que nos pedem a vida. E vivemos quando nos apresentam a morte.
Cedo ou tarde tudo acaba. E não me apetece voltar. Já não consigo esconder as lágrimas que correm pelo rosto, Clamando o nome há muito esquecido.
E não mais voltarei para te ter, Nem no mais real dos sonhos.
Márcia Silva |
|  | | Mortisa Mestre Luso/a
Idade : 24 Registrado dia : 10 Jan 2007 Mensagens : 1812
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 02:12 | |
| S/ Título
Nunca me apercebi da opacidade desta venda que insisto usar, Não pensei que ferisse mais que a ferocidade da mordaça que trago comigo. Enquanto escuto todos os sinais morse que me tentas ensinar, (Os mais pequenos gestos daquilo que penso que seja vida) As serpentes vespertinas que nos rodeiam, Não tardam em ver em nós a marca profunda do fruto proibido.
E sibilantes enlaçam-se em nós E sibilantes esmagam-nos a nós
São sempre as que nos são mais próximas, que nos tentam morder, Que espalham o seu veneno, Em busca dos restos de sentimento que não podem ter.
Acautela-te! Não deixes que o hipnotismo ondulante te seduza, Que reduza a pó, o sentido de vida que em nós encontramos.
E triunfantes envenenam-nos sem dó E triunfantes reduzem-nos em pó
Lembra-te! Que antes de seres pó, eras gente, Com memórias efémeras de morte, com dúvidas eternas de vida, (As mesmas que clamamos como nossas).
Retira-me a venda em que me escondo, E retirar-te-ei as agulhetas que te tolham o cérebro. Retira-me a mordaça em que me refugio, E retirar-te-ei o garrote que te afrouxa a língua.
Recorda-me sempre no teu peito, E recordar-te-ei para sempre no meu.
Não te enganes ao pensar que a víbora se transforma em ave, Ela não te dará asas para voar, dar-te-á apenas raízes para apodreceres. Vê em mim o teu fruto sumarento e sacia-te, suavemente.
Márcia Silva |
|  | | Nightspirit Super-Lusitano/a

Registrado dia : 05 Fev 2007 Mensagens : 892 Localização : Braga
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 02:25 | |
| Dois poemas lindíssimos Mortisa, os meus parabéns! O segundo achei-o de um misto de erotismo elegante com sensibilidade fantásticos. Há também uma musicalidade com a escolha das palavras e um ritmo nem lento nem rápido que me agrada. Poderia ser escrito em prosa, sem dúvida!
"Nunca me apercebi da opacidade desta venda que insisto usar, Não pensei que ferisse mais que a ferocidade da mordaça que trago comigo. Enquanto escuto todos os sinais morse que me tentas ensinar, (Os mais pequenos gestos daquilo que penso que seja vida) As serpentes vespertinas que nos rodeiam, Não tardam em ver em nós a marca profunda do fruto proibido."
Nice, really nice!! (Keep going) |
|  | | Mortisa Mestre Luso/a
Idade : 24 Registrado dia : 10 Jan 2007 Mensagens : 1812
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 02:34 | |
| | Obrigado pelo comentário...tenho sempre algum receio em mostrar os meus poemas. |
|  | | Nightspirit Super-Lusitano/a

Registrado dia : 05 Fev 2007 Mensagens : 892 Localização : Braga
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 03:01 | |
| Acho normal sentir sempre algum receio ou desconforto quando nos expomos de certa maneira!
Tempo...
O tempo engoliu-nos sem que nos apercebêssemos. Foi o sentimento que nos abraçou ou a consciência que nos afogou? Que caminhos tomamos nós, para nos termos perdido neles? É a consequência dos nossos actos que nos resta, ou apenas uma estrada que apresenta um fim sem soluções, sem alternativas, sem escape? Ontem foi um dia que não existiu e não tenho a certeza se o ano que passou também ele existiu dentro de nós…o tempo engoliu-nos, espiral circular decadente. A minha memória confusa, perdi a noção do que fui, sou ou era. Quem és tu amor? Quem raio sou eu? Talvez seja o homem que existe para além de mim e que quando pisa o chão não deixa marcas. Talvez sejamos um só…e o reflexo do espelho, seja na realidade a representação de quem está à sua frente. Que horas são? Ainda é hoje, ou o tempo já passou? Quem sou eu para além de agora? Em que século, década ou segundos vivi e vivo agora? Dói-me o peito fraco e aquilo que tenta funcionar dentro dele. Custa-me respirar. Quero sentir o pulsar forte na veia, mas um peito em chamas arde lentamente um interior já destruído, corrói lentamente aquilo que desconheço. Como grita quem não tem voz? Ontem acordei, pousei as mãos na cara e não soube se as minhas mãos esfolavam ou se a minha cara estava velha. Chorei sem saber porquê. Sabia que não sabia quem era e isso não era saber. No quarto deslavado a luz amarelenta esbatia-se contra as paredes baças, criava um aroma surreal. Saí do tempo em que me encontrava, desliguei a mente no momento do meu nascimento e voltei a ligá-la nesse dia, sem saber o que nos tinha acontecido. O tempo engoliu-nos e não sei se foi o sentimento que nos abraçou ou se a consciência nos afogou, mas no meio das duas hipóteses, sei-o, pelo traço indelével na minha cara, a vitima sou eu. O espelho mente. |
|  | | wolfspell Administrador

Idade : 31 Registrado dia : 02 Jan 2007 Mensagens : 3068 Localização : Lusitania
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 10:07 | |
| Mortisa, belos poemas!
Gostei dois dois, mas na minha opinião o segundo está mais bem conseguido. É natural que sintas alguns "receio" em mostrares o que escresves, pois afinal estás a expor uma parte de ti, é como sentir que nos falta uma peça de roupa e que estamos um pouco despidos!!!
Também existe o factor que após a publicação de um texto que escrevemos, esse texto deixa de ser apenas nosso e passa a ser de todos aqueles que o lerem!
É um pouco estranho, não é?
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|  | | wolfspell Administrador

Idade : 31 Registrado dia : 02 Jan 2007 Mensagens : 3068 Localização : Lusitania
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 10:10 | |
| Nightspirit... fiquei sem palavras!!!
Oh homem, tens que escrever mais coisas carago... senão coiso!
Adorei o teu texto, está muito intenso e profundo.
Na minha opinião contem uma carga emocional muito grande... e acima de tudo faz-nos pensar em nós próprios e naquilo que fazemos com os nossos dias!
Parabéns. |
|  | | Mortisa Mestre Luso/a
Idade : 24 Registrado dia : 10 Jan 2007 Mensagens : 1812
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 15:32 | |
| Aqui vai um excerto de um livro q ando a escrever....
Antes de morrer não pensar em mais nada
Entro em casa e através dos caminhos de sombras, encontro-te. Tinhas chegado antes de mim e já há muito que partiras. Deixaste apenas a memória tardia de ti, a trair-te. Olho em redor e revejo neste quarto as memórias perdidas, e já me sinto enlouquecer. Já me sinto desvanecer nesta prisão claustrofóbica de memórias, onde até há pouco tempo estiveste. Pouso na mesa as poucas compras que consegui arranjar. Também já quase nada como. Já quase nada quero comer, aliás o meu único alimento provém da realidade alucinatória que me é tão familiar. Que me é tão cara. Que deixa as suas raízes podres bem dentro de mim. Por vezes não consigo distinguir a ilusão da realidade, e mesmo esta sempre me soube a ilusão. Já não há realidades boas. Já não há ilusões belas. Apenas o vício de te saber comigo. Apenas este frio que tarda em partir. E alastra-se. E penetra cada vez mais fundo. E congela cada vez mais perto. E este vício cada vez mais forte. Olho para a cadeira onde até há pouco estiveste e atrevo-me a violar o seu espaço. Ainda está quente. Ainda tem a forma do teu corpo. Como se adiantasse algo, aconchego-me mais fundo, tentando em vão, encontrar o toque do teu corpo. E fico horas esquecidas. E fico horas perdidas. Horas que se tornam dias. Dias que se tornam anos. E por eles revejo o que há muito já não via. O que há muito quis esquecer. Porque será que tudo tarda em partir? Porque será que a ausência chega sempre cedo de mais? E esta não memória sempre constante. Tudo aquilo que considerava bom, todas aquelas recordações que guardava com carinho, perdidas neste mar de distância dor. As memórias más tendem sempre a vir à superfície, por mais que eu as tente afogar. Quantas vezes tentamos esquecer aquilo que tanto nos magoa? Foram tantas as vezes que me refugiei no sono de pedra, e mesmo assim revivi vezes sem conta todas as situações que me moldaram. Cada sonho é uma análise inconsciente de cada momento, de cada palavra. E vivemos um pouco menos sempre que sonhamos. Ao abrirmos as portas de nós o peso da consciência esmaga-nos, e a culpa por mais inocente que seja consome-nos. Automaticamente auto-flagelamo-nos independentemente de sofrermos. (...) |
|  | | Li Administradora

Registrado dia : 30 Dez 2006 Mensagens : 2908 Localização : MSHC
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 16:09 | |
| Mortisa, escreves muito bem  Gostei muito. Prendes os olhares às tuas palavras. Isso é bom.
Aetheria - não tenho palavras... Ao ler-te, só me veio um nome à cabeça - Sá-Carneiro.
O meu mais recente:
"SONETO AO SONHO"
Sonho-te até que a voz me doa, cantando-te o que fui outrora. Revelo-te segredos na proa do navio que me afunda agora.
Sonho-te mesmo que em desejos, voando pelo meu céu e sol. Mesmo que, sem ter teus beijos, sonha debaixo do meu lençol.
Sonho-te sem te ter perto, chorando como quem não existe. No teu coração entreaberto, mostro-te o mundo que em mim não viste.
Sonho-te mesmo não sendo, deitando meu corpo em minha canção. Penso e repenso, mesmo te não vendo, anseio fugir da minha razão.
Não querendo, nem podendo, vou sempre tendo ânimo a dar-te.
E aqui vivendo, e a outro sendo, não me arrependo por hoje sonhar-te. _________________ «Acho que a nivel cultural se não estamos na cauda da UE, estamos para aí no coccix.»
*péum*
Última edição por dia Seg 18 Jun 2007, 02:53, editado 1 vezes |
|  | | Lusitano Webmaster

Registrado dia : 07 Jan 2007 Mensagens : 69 Localização : Portugal
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 19:24 | |
| ó Li.... estás apaixonada, é?! _________________ Lusitano |
|  | | Li Administradora

Registrado dia : 30 Dez 2006 Mensagens : 2908 Localização : MSHC
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 19:25 | |
| | Lusitano escreveu: | ó Li.... estás apaixonada, é?! |
 _________________ «Acho que a nivel cultural se não estamos na cauda da UE, estamos para aí no coccix.»
*péum* |
|  | | zarini Afilhado/a

Registrado dia : 04 Jan 2007 Mensagens : 530 Localização : Coimbra
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 20:08 | |
| Estás ou não? Isso é que queremos saber! _________________ zarini |
|  | | Mortisa Mestre Luso/a
Idade : 24 Registrado dia : 10 Jan 2007 Mensagens : 1812
 | Assunto: Re: O que escreves Qui 08 Fev 2007, 20:10 | |
| Ui...deixem a rapariga em paz...seus cuscos..... :bounce: |
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