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| Autor | Mensagem |
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Meretseguer Super-Lusitano/a

Número de Mensagens: 909 Data de inscrição: 23/11/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Ter 13 Jan 2009, 22:51 | |
| | Citação: | "A luz e a cor tendem a adquirir uma qualidade preternatural quando vistas no meio da escuridao circundante."
Aldous Huxley - Céu e Inferno |
Komah!...
Toma lá, então: "Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida."
"Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma "
F. Pessoa - Livro do Desassossego
Última edição por Meretseguer em Qua 03 Mar 2010, 20:33, editado 1 vezes |
|  | | Kermit Da Família

Número de Mensagens: 397 Localização: Vale de Milhaços Data de inscrição: 14/05/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Qua 29 Jul 2009, 19:25 | |
| "It seems that men and women are equally at fault. It seems that a profound, impartial and absolutely just opinion of our fellow-creatures is utterly unknown. Either we are men, or we are women. Either we are cold, or we are sentimental. Either we are young, or growing old. In any case life is but a procession of shadows, and God knows why it is that we embrace them so eagerly, and see them depart with such anguish, being shadows. And why, if this - and much more than this - is true, why are we yet surprised in the window corner by a sudden vision that the young man in the chair is of all things in the world the most real, the most solid, the best known to us - why indeed? For the moment after we know nothing about him."
Virginia Woolf - Jacob's Room |
|  | | Meretseguer Super-Lusitano/a

Número de Mensagens: 909 Data de inscrição: 23/11/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Sab 22 Ago 2009, 05:02 | |
| "Vivamos, enfim, no: Faça-se a luz! e no Amai-vos uns aos outros! Faça-se a luz é o grito do anarquista. Amai-vos uns aos outros é o dos comunistas"
- Teixeira de Pascoaes, A Minha Cartilha, 1954.
O Teixeira queria comprar um Fiat Lux mas faltava-lhe o Ar condicionado... |
|  | | mike Mestre Luso/a

Número de Mensagens: 1179 Idade: 33 Localização: Foz Norte Data de inscrição: 21/05/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Qua 18 Nov 2009, 13:29 | |
| Vinicius: O DIA DA CRIAÇÃO, por Vinícius de Moraes
Macho e fêmea os criou Genesis, 1, 27
I
Hoje é sábado, amanhã é domingo A vida vem em ondas, como o mar Os bondes andam em cima dos trilhos E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo Não há nada como o tempo para passar Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo Amanhã não gosta de ver ninguém bem Hoje é que é o dia do presente O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas Todos os maridos estão funcionando regularmente Todas as mulheres estão atentas Porque hoje é sábado.
II
Neste momento há um casamento Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo Porque hoje é sábado
III
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, o Sexto Dia da Criação. De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra; E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário.
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão. Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias.
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos.
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia.
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias.
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos; Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade.
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo...
E para não ficar com as vastas mãos abanando Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança Possivelmente, isto é, muito provavelmente,
Porque era sábado. _________________ I have a cunning plan!!!
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|  | | komah11 Moderador

Número de Mensagens: 3722 Data de inscrição: 01/01/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Dom 29 Nov 2009, 16:59 | |
| vi isto por acidente:
Care-charmer Sleep, son of the sable Night, Brother to death, in silent darkness born, Relieve my languish and restore the light, With dark forgetting of my cares' return. And let the day be time enough to mourn The shipwrack of my ill-adventur'd youth; Let waking eyes suffice to wail their scorn Without the torment of the night's untruth. Cease Dreams, th'imagery of our day desires, To model forth the passions of the morrow; Never let the rising sun approve you liars, To add more grief to aggravate my sorrow. Still let me sleep, embracing clouds in vain, And never wake to feel the day's disdain.
by Samuel Daniel's poem "Care-Charmer" |
|  | | komah11 Moderador

Número de Mensagens: 3722 Data de inscrição: 01/01/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Ter 23 Mar 2010, 15:17 | |
| " A noção de que cada organismo fora meticulosamente construido pelo Grande Arquitecto dava um significado e uma ordem á natureza e uma importancia aos seres humanos por que ainda hoje ansiamos. Um arquitecto é uma explicaçao natural, atraente e perfeitamente humana para o mundo biológico. Mas, tal como Darwin e Wallace demonstraram, existe outro modo, igualmente atraente, igualmente humano, e que se nos impõe muito mais: a selecçao natural, que, com o passar dos tempos, torna a música da vida cada vez mais bela. As provas de registos fósseis podiam ser coerentes com a ideia de um Grande Arquitecto; talvez algumas espécies tenham sido destruidas quando desagradaram ao Arquitecto e novas experiencias tenham sido tentadas, num aperfeiçoamento de planos. Mas esta noção é desconcertante. Todas as plantas e animais sao verdadeiras maravilhas; não poderia um arquitecto infinitamente competente tê-los feito assim do princípio? O registo fóssil revela tentativa e erro, incapacidade de prever o futuro, tudo caracteristicas que nao dizem com um grande Arquitecto eficiente (embora possam condizer com um arquitecto de temperamento mais inecessivel e tortuoso)." Carl Sagan in Cosmos  |
|  | | inf3rno Da Família

Número de Mensagens: 477 Idade: 31 Localização: Braga/Guimarães/Lisboa/Bologna Data de inscrição: 09/02/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Qua 24 Mar 2010, 01:01 | |
| "Se há coisa que me faz mal é a água mineral" Manuel João Vieira |
|  | | Jedi Mind Tricks Moderador

Número de Mensagens: 1719 Idade: 24 Localização: Lisboa, Portugal Data de inscrição: 01/01/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Qua 24 Mar 2010, 14:08 | |
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|  | | komah11 Moderador

Número de Mensagens: 3722 Data de inscrição: 01/01/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Qua 28 Abr 2010, 01:36 | |
| “(…) Subitamente tudo desapareceu. E o Diabo, olhando para mim, pensativo: «Consummatum est, amigo! Mais outro Deus! Mais outra religião! E esta vai espalhar em Terra e Céu um inenarrável tédio.» E logo, levando-me pela colina abaixo, o Diabo rompeu a contar-me animadamente os cultos, as festas, as religiões que florescia na sua mocidade. Toda esta costa do Grande Verde, então, desde Biblos até Cartago, desde Elêusis até Mênfis, estava atulhada de deuses. Uns deslumbravam pela perfeição da sua beleza, outros pela complicação da sua ferocidade. Mas todos se misturavam à vida humana, divinizando-a: viajavam em carros triunfais, respiravam as flores, bebiam os vinhos, defloravam as virgens adormecidas. Por isso eram amados com um amor que não mais voltará: e os povos, emigrando, podiam abandonar os seus gados ou esquecer os rios onde tinham bebido – mas levavam carinhosamente os seus deuses ao colo. «O amigo», perguntou ele, «nunca esteve em Babilónia?» Aí, todas as mulheres, matronas ou donzelas, se vinham um dia prostituir nos bosques sagrados, em honra da deusa Milita. As mais ricas chegavam em carros marchetados de prata, puxados a búfalos, e escoltados de escravas; as mais pobres traziam uma corda ao pescoço. Umas, estendendo um tapete na erva, agachavam-se como reses pacientes; outras, erguidas, nuas, brancas, com a cabeça escondida num véu preto, eram como esplêndidos mármores entre troncos e álamos. E todas assim esperavam que qualquer, atirando-lhes uma moeda de prata, lhes dissesse: «Em nome de Vénus!» Seguiam-no então, fosse um príncipe vindo de Susa com tiara de pérolas, ou o mercador que desce o Eufrates no seu barco de couro: e toda a noite rugia, na escuridão das ramagens, o delírio da luxúria ritual. Depois o Diabo disse-me das fogueiras humanas de Moloch, os mistérios da boa deusa em que os lírios se regavam com sangue e os ardentes funerais de Adónis… (…) Depois o Diabo contava-me como brilhavam, doces e belas na Grécia, as religiões da Natureza. Aí tudo era branco, polido, puro, luminoso e sereno: uma harmonia saía das formas dos mármores, da constituição das cidades, da eloquência das academias e das destrezas dos atletas: por entre as ilhas da Iónia, flutuando na moleza do mar mudo como cestas de flores, as Nereidas dependuravam-se da borda dos navios para ouvir as histórias dos viajantes; as Musas, de pé, cantavam pelos vales: e a beleza de Vénus era como condensação da beleza de Helénia. Mas aparecera este carpinteiro de Galileia – e logo tudo acabara! A face humana tornava-se para sempre pálida, cheia de mortificação: uma cruz escura, esmagando a terra, secava o esplendor das rosas, tirava o sabor aos beijos – e era grata ao deus novo a fealdade das formas.”
Eça de Queiroz - A Relíquia. |
|  | | Meretseguer Super-Lusitano/a

Número de Mensagens: 909 Data de inscrição: 23/11/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Dom 16 Maio 2010, 23:30 | |
| Eça de Queirós, em 1872, escreveu nas Farpas:
"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal".
quem se lembra disto?... |
|  | | Jedi Mind Tricks Moderador

Número de Mensagens: 1719 Idade: 24 Localização: Lisboa, Portugal Data de inscrição: 01/01/2007
 | Assunto: Re: Excertos Literários Seg 17 Maio 2010, 01:07 | |
| | Meretseguer escreveu: | Eça de Queirós, em 1872, escreveu nas Farpas:
"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal".
quem se lembra disto?... |
| George Santayana escreveu: | | Those who cannot remember the past are condemned to repeat it |
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